Vivência

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Vivência, o conhecimento adquirido através da experiência vivida. Não é lido, não é contado, é experimentado.

Estes dias me deparei com um vídeo de um duo muito bonito de violão e bandolim, onde dois senhores tocam uma musica chamada “Vivências” composta por eles mesmo. No início deste vídeo há uma conversa entre os dois. Fiquei observando encantado o formato da conversa, a gentileza, o tom despreocupado, a simpatia, a sensibilidade, sem falar do aspecto musical impecável.

Ficou nítido para mim que tal encanto me veio em função de toda a vivência deles – por acaso ou não, este é o nome da música -. Tudo o que eles viveram, fizeram, todas as experiências e influências os criaram exatamente neste formato.

Assim é a vida, a gente vai crescendo, vivendo um dia após o outro, usufruindo muitas vezes daquela simples rotina de levantar tomar café, ir para o trabalho, fazer um curso, comprar coisas, vender coisas, sair com os amigos, buscando incessantemente alcançar aquela coisa que a gente nem sabe bem o que é, ou a gente sabe o que é? Sei lá, acho que não! Mas a gente busca da melhor forma possível a melhor vivência possível.

A medida que vamos vivendo, é possível aos poucos observar a construção desta vivência, pessoalmente falando, hoje vejo que velhos objetivos tão distantes e inalcançáveis estão aí, começam assustadoramente a virar parte de um passado recente e se misturam aos próximos passos ainda tão incertos de uma fase tão incerta e desconhecida como aquela que com grande coragem foi deixada para trás.

Desta vez porém, algo bem lá no fundo é diferente, tranquilidade, serenidade se tornaram companhias diárias, é possível responder a vida com aquela gentil educação que a faz muitas vezes pedir desculpas.

Noto também que aquelas tão famosas voltas que o mundo dá existem mesmo, são incrivelmente diferentes do que eu imaginava que elas seriam, não são melhores, nem piores, são um círculo perfeito, não me favorecem, nem desfavorecem, mas me deixam absolutamente em paz.

Reparo de uma forma tão diferente e clara como aquela pessoa mudou, como ela está bem, como ela está mal, como aquele lugar parece tão decadente, como verdades absolutas já não são mais tão verdades assim, ou mesmo já são tão mentiras que custo a acreditar que é verdade.

E a família? Como a família mudou! Eram eles mesmo que estavam aí todo este tempo? De onde surgiu esta infinita admiração e respeito por estas pessoas, como é possível? Estavam aí o tempo todo, só agora que eu vi? Sim! Estavam todos aí! Estávamos todos aí o tempo todo, nos equilibrando, carregando um ao outro no colo, aprendendo dia-a-dia um com outro, criando sem saber uma linda joia, raríssima, a mais preciosa que se pode ter neste curto espaço de tempo da vida, a família!

A tranquilidade e serenidade se misturam estranhamente a uma corrida com um relógio que parece andar a cada dia mais rápido, uma estranha corrida atrás de um ponto luminoso lá na frente, no fim do túnel; parece ser a felicidade, não sei ainda, mas algo me diz para correr muito rápido para lá, sem olhar para trás, nem para os lados. Impossível não citar o Sérgio Vaz.

A felicidade mesmo que tardia deve ser conquistada e que ninguém se contente com as migalhas do cotidiano. – Sérgio Vaz

Muita coisa passa, muita gente passa, o riso passa, o choro passa, aprendemos muito, deixamos muita coisa pra lá também. Estamos construindo nossa vivência a cada dia, no fundo, no fundo é disto que estamos correndo atrás, uma vivência bonita, que possa ser inspiração.