Existe vida após o Facebook

Existe vida após o Facebook

Recentemente tomei aquela assustadora decisão de deixar de participar do Facebook, vou compartilhar aqui um pouco de como foi esta experiência, falar brevemente sobre as fases que passei e os aprendizados que tive neste período.

Hoje em dia não é novidade para ninguém o tamanho da influência que o Facebook tem em nossa sociedade, é impressionante ver as mudanças que vem ocorrendo em nossa sociedade em função do Facebook – sim em função do Facebook –, mudanças comportamentais, mudanças no pensamento. As pessoas agora estão conectadas, podem difundir ideias, se unir a grupos semelhantes, militar por uma causa, têm voz ativa. Que grande maravilha este novo tempo!

Se é assim, que assustadora pode ser a ideia de se isolar de tudo isto! Muitas coisas passam pela cabeça no momento de tomar esta decisão, não serei mais ouvido, não serei mais visto, o anonimato assustadoramente bate a porta. A busca pela aceitação típica do ser humano deixa no ar uma série de perguntas.

Quero realmente me se desfazer daquela boa sensação de popularidade? Que prejuízo enorme me desfazer da bela imagem de ser humano perfeito que vendo!

Fiquei exatos seis meses fora do Facebook, uma experiência no início pra lá de desagradável, nunca fui usuário de drogas, mas acredito que seja possível fazer um paralelo com a sensação causada pela abstinência do uso de drogas. Que fenômeno interessante, não? Nesta fase a necessidade de se fazer visível está a todo momento na sua mente, você precisa fazer aquele check-in, precisa saber como fulano está, não se conforma em perder os dezenas de likes que poderia ganhar por aquela foto. Nesta fase inicial muitas pessoas te procuram preocupadas, pedem para você voltar, e em alguns casos posso dizer que te julgam e descriminam. Acho que existe uma dependência bilateral aí, mas este é outro assunto.

Aos poucos as coisas vão se estabilizando, toda esta necessidade check-ins, likes e afins vai gradativamente diminuindo. Nesta fase algo interessante ocorre, de forma natural você começa a substituir o Facebook por outras redes sociais – foi assim no meu caso, será que está coisa do “social” é um caminho sem volta? Não sei! –, de fato existe um outro mundo fora do Facebook, muitas vezes em conversas com amigos eu brinquei:

Quem importa eu tenho no WhatsApp, quem tem o que dizer está no Twitter e seu quiser ver algumas fotos tenho o Instagram. Para que eu preciso do Facebook?

Muito naturalmente fui me dedicando a estas redes, quando percebi já estava completamente confortável com elas, passei grande parte destes meses assim.

A pior parte de ficar longe do Facebook é perda de contato com algumas pessoas, mesmo com a grande quantidade de recursos disponíveis hoje em dia isto acaba acontecendo, acredito que este seja o grande trunfo do Facebook. O Facebook é inegavelmente um recurso de comunicação muito poderoso, o absurdo número de usuários espalhados por todos os lugares do mundo o torna extremamente eficiente em conectar pessoas.

A parte de boa de ficar fora do Facebook é o valor que você naturalmente começa a dar a relacionamentos de verdade com pessoas reais, não que estes relacionamentos perderam importância em algum momento, mas de uma forma muito clara você passa a ver que o que realmente importa é o bom papo, a roda de amigos, não dá para me medir o valor.

Posso dizer que este período foi bem interessante, uma ótima experiência, hoje estou de volta a famosa rede social, trabalho com internet, para mim do ponto de vista profissional faz falta, mas digo que volto muito mais leve, como uma ideia muito mais madura e saudável do que significa fazer parte de uma rede social. Sobrevivi!

Recomendo a leitura da matéria “Como é a vida depois do Facebook?” da Ligia Aguilhar postada recentemente no Estadão, texto que acabou inspirando este post.