E essa tal classe média?

E essa tal classe média?

Não é novidade que o Brasil na última década vem passando por uma transformação social profunda, uma transformação sem precedentes na nossa história. Somos bombardeados a todo momento por propagandas falando dos milhões que têm saído de uma situação de pobreza extrema e despontado para um novo momento de esperança e dignidade. Estima-se que cerca de 37 milhões de brasileiros saíram da pobreza para a classe média.

Conseguimos observar com bastante facilidade que nos últimos dez anos o perfil do brasileiro mudou bastante. Um dos fenômenos mais interessantes é fortalecimento de nossa classe média — classe C —, composta por famílias que têm uma renda mensal domiciliar total entre R$ 1.064,00 e R$ 4.561,00.

A nova classe média brasileira é formada por pessoas mais jovens, com um nível de escolaridade maior, são pessoas mais exigentes na hora de consumir e na hora decidir onde investir o seu dinheiro e um sua absoluta maioria estão inseridas no mercado de trabalho formal.

Estou fazendo um rápido panorama deste processo de transformação social e perfil da classe média para que possamos ter uma base melhor sobre o assunto que quero expor aqui. É muito importante termos em mente que quando falamos de classe média estamos falando de nós mesmos, ou da grande maioria das pessoas economicamente ativas, que trabalham, levantam cedo, ralam para poder fazer faculdade, ter um carro e ter onde morar.

Crítica besta, raiva gratuita contra classe média

Vemos hoje em dia uma crítica besta, uma raiva gratuita sem fundamento contra à classe média nos meios de comunicação e principalmente nas redes sociais. Na verdade está história de xingar a classe média é uma história velha, esta é uma moda que já vem desde a década de 50, nós que nascemos que nascemos no final da década de 80, pelo pouco tempo de vida acreditamos que este é um “privilégio” que nos foi dado. Costumo dizer que hoje através da tecnologia, idiotas tem mais voz ativa e mais alcance no que falam, talvez por este motivo temos a impressão que sofremos mais por diariamente ver dezenas de comentários sem embasamento e sentido.

A grande verdade é que boa parte da crítica direcionada a classe média deveria ser direcionada a um grupo de babacas mal instruídos, que falam demais e tem um conceito raso de justiça (classe média não pensante). Sim, eles existem aos montes por aí! Falar que a classe média é isso ou aquilo é um erro. Existe uma controversia sobre a frase: “toda generalização é burra”, mas neste caso podemos dizer com segurança “esta é uma generalização burra”.

Nenhum outro grupo tem feito tanto pelo nosso país ao longo dos anos quanto a classe média; milhares de brasileiros que levantam cedo, trabalham, estudam, movem a economia. Em junho de 2013 assistimos uma das maiores mobilizações sociais já vistas neste país. Eram os ricos que estavam nas ruas? Eram pessoas muito pobres que infelizmente não tem consciência política? Engraçado é que ninguém critica os ricos do Brasil, este grupo retém boa parte da riqueza de nosso país, promove uma desigualdade social imoral e em sua maioria estão cagando para tudo por aqui.

Quem critica a classe média?

Mas afinal, quem crítica a classe média? Ninguém odeia mais a classe média do que as pessoas da própria classe média. Estou falando de um grupo de pessoas que adoram dar “xilique” com tudo — atenção, não estou falando de toda classe média —, odeiam os carros que andam, não suportam o lugar que moram, descriminam a faculdade que estudam, parecem estar de certa forma na adolescência, fase da vida onde rejeitamos tudo que nos é familiar. Por que não dizer que são imaturas?

Há algum tempo atrás li um texto que citava características comuns desta classe média “xiliquenta” que adora criticar a própria classe média, não dá para generalizar, mas confesso que dei boas risadas e lembrei de vários amigos meus na ocasião. Para descontrair um pouco vou citar aqui algumas características que lembro. De forma geral essas pessoas:

  • Bebem Bohemia e Original, pois é o que dá para pagar;
  • São fascinadas pela ilha misteriosa de Fidel Castro;
  • Devotos de Chico Buarque e Luiz Inácio Lula da Silva;
  • São socialmente engajados, mas não em feriados, lógico, viajam;
  • Apoiam a pena de morte, desde que seja para crimes pequenos;
  • Se dizem marxistas e jamais leram um livro de Karl Marx;
  • Amam a Rede Globo de televisão, mas juram que pés junto que não;
  • Sempre citam o comportamento de rebanho da sociedade;
  • São especialistas em serem “do contra” nas unanimidades óbvias.

E aí conseguiu lembrar de alguns conhecidos seus?

A classe média merece respeito

Acredito que essa tal classe média merece respeito, quando falamos de classe média estamos falando de nós mesmos, estamos falando daqueles que têm feito diferença, têm lutado por mudanças, daqueles que ainda acreditam que pode ser diferente, creem em um futuro melhor e correm atrás disso. Para alguns pode parecer “cult” criticar a nova classe média, porém quando analisamos com profundidade o assunto percebemos que esta crítica infundada só nos lembra imaturidade e revolta gratuita.

Gostaria de deixar aqui um material que encontrei no site do SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos). A SAE é um órgão de governo, que formula políticas públicas de longo prazo voltadas ao desenvolvimento econômico e social do Brasil. Este material explica de forma bem detalhada todo o cenário da classe média no Brasil, leitura super recomendada para quem tem curiosidade sobre o assunto: Perguntas e respostas sobre a definição da classe média.