São Paulo – isso não é amor, o amor é outra coisa

São Paulo – isso não é amor, o amor é outra coisa

Uma quinta-feira puxada, o despertador toca uma, duas, três, dez vezes. A cama simplesmente me abraçou e não quer soltar. Em um esforço quase sobre humano de quem já está com as baterias baixas pela proximidade do final de semana finalmente consigo me levantar.

De olhos ainda meio fechados e com o quarto ainda meio escuro, pego a roupa que deixei mais ou menos passada e mais ou menos arrumada no dia anterior e me visto rapidamente. Vou para o banheiro, lavo o rosto — finalmente abro os olhos —, escovo os dentes, penteio o cabelo, coloco a lente de contato e parto para aqueles minutos finais antes da partida para o trabalho onde tento comer algo, não dá para chamar exatamente de café da manhã.

Tenho o péssimo habito de deixar o celular na mesa enquanto tomo café, vou olhando as notícias nos grandes portais, selecionando algumas fotos de amigos para curtir no Instagram e dando uma espiada no Twitter. Lembro-me que neste dia, em um curto espaço de tempo, pude ver alguns “tweets” e notícias com duras queixas sobre a cidade de São Paulo.

Há alguns dias já andava meio de “saco cheio” desta história; pessoas a todo momento se queixando — é só se queixando — da cidade que vivem e da vida que levam, quase que por reflexo postei o seguinte comentário no twitter:

A cidade de São Paulo

Toda narrativa acima se deu em um espaço de tempo de cerca de vinte minutos, resolvi colocá-la aqui para e embasar o texto e ilustrar um pouco do estilo de vida das grandes cidades — São Paulo no meu caso —. Não sou um inocente defensor da cidade de São Paulo, trabalho há mais de 10 anos no centro da cidade e sei muito bem das mazelas da cidade de São Paulo.

Sofremos diariamente com trânsito caótico, altos índices de poluição, saúde precária, falta de segurança, ineficiência crônica do transporte coletivo, enchentes e etc. Eu poderia citar aqui uma lista bem extensa de problemas enfrentados pela cidade São Paulo, problemas bem característicos de grandes cidades, e que não são necessariamente exclusividades da cidade de São Paulo.

Achei muito interessante uma pesquisa recente do Datafolha que levantou os principais problemas que os paulistanos acham que a cidade enfrenta. De forma geral ficou assim: Saúde 26%, Segurança 16%, Transporte coletivo 15%, Enchentes 6%, Educação 6%, Trânsito 6%, Lixo 5%, Calçamento 3%, Tráfico de drogas 2%, Moradia 2%, Desemprego 2%. Enfim, existe muita coisa a ser feita, problemas complexos a serem resolvidos, não dá para fingir que está tudo bem, fingir que um bom patamar de desenvolvimento já foi atingido. Seria muita inocência de nossa parte!

Em contrapartida, São Paulo é a cidade mais multicultural do Brasil e uma das mais diversas do mundo. Desde 1870, aproximadamente 2,3 milhões de imigrantes chegaram ao estado, vindos de todas as partes do mundo. Atualmente, é a cidade com as maiores populações de origens étnicas italiana, portuguesa, japonesa, espanhola, libanesa e árabe fora de seus países respectivos e com o maior número de nordestinos fora do Nordeste.

São Paulo é considerada polo cultural no Brasil, tendo hoje se consolidada como uma das principais capitais culturais do Brasil e da América Latina. Tem de tudo em São Paulo, quase tudo vêm para São Paulo — artistas nacionais, artistas internacionais, exposições, shows dos mais variados, restaurantes —. Quem nunca foi a um super evento no Sesc e saiu maravilhado por ter pago a “bagatela” de R$10,00 por um evento de primeira linha? Acredito que dá para dizer com segurança que São Paulo não perde em nada para as grandes capitais do mundo em termos de cultura e lazer.

A capital do Estado de São Paulo é considerada principal centro financeiro, corporativo e mercantil da América do Sul. É possível se trabalhar com praticamente tudo em São Paulo, uma cidade de oportunidades; quem sabe fazer alguma coisa sempre encontrará espaço para ganhar dinheiro. Historicamente São Paulo é uma cidade aberta a força de trabalho, uma cidade de braços abertos a pessoas que vem tentar a vida, muitas vezes sem nada, sem esperança e dignidade.

Muita coisa está em São Paulo, muita coisa acontece em São Paulo, o volume de pessoas é gigante, é inevitável que alguns problemas apareçam, são coisas típicas de grandes cidades. Falar de problemas, perder cabeça é algo simples, mas pensar e propor soluções não está na pauta de muitas pessoas.

O dilema dos paulistanos

Existem muitos paulistanos que atualmente vivem um caso de amor e ódio com a cidade de São Paulo, uma espécie de amor bandido. Criticam duramente, amam perdidamente, querem fugir desesperadamente, um verdadeiro show de incertezas e sentimentos ambíguos.

As cidades são das pessoas que nelas vivem, todos são responsáveis; é responsabilidade de todos os cidadãos cuidar para que as cidades sejam lugares melhores e mais justos; independentemente da atuação de políticas públicas e governos. Existe muita coisa que pode ser proposta, muita coisa que pode ser realizada com pequenas atitudes.

Sabendo-se viver em São Paulo, vive-se muito bem, talvez até com mais pontos positivos do que negativos, porém, isto já é assunto para outro post. Em vista de todo este cenário, vale a reflexão pessoal de cada um sobre os objetivos de se viver em uma grande cidade: “O que busco para minha vida? Será que este é o melhor lugar para eu me realizar como pessoa? Quero criar meus filhos neste ambiente?”. Sempre existirão pontos positivos e negativos! Talvez estar em uma grande cidade seja algo passageiro para um grupo de pessoas, para outras talvez seja um estilo de vida.