Vida, história e movimento

Vida, história e movimento

Nos últimos dias me peguei várias vezes pensando sobre o quanto nossa vida é dinâmica, não sei exatamente por qual motivo esses pensamentos tão frequentemente estiveram me acompanhando nesses dias — talvez esteja finalizando um ciclo e entrando em outro, não sei —, enfim, o fato é que as coisas as coisas estão sempre mudando, estão sempre nos surpreendendo, as vezes nos alegrando, as vezes nos decepcionando.

Um ano, 365 dias; olho com certo alívio para os 365 dias que se passaram, é bom ver que a vida andou, é bom ver que o dia de hoje tem um colorido diferente, não que o dia de hoje seja melhor ou pior que o dia de ontem, mas é um novo dia, com novas esperanças. É surpreendente ver que em 365 dias praticamente tudo muda em nossa vida: pensamentos, planos, amizades, amores.

Não existe exatamente um ponto final, é uma dádiva saber que podemos recomeçar quantas vezes precisarmos, saber que podemos nos reinventar, vestir novas roupas, trocar de corte de cabelo, investir naquele “hobby” esquisito, conhecer e amar novas pessoas. Tudo isso é parte de nosso aprendizado ao longo da vida, e nos faz únicos.

Gosto de olhar para trás e perceber o formato que as coisas tomaram enquanto eu caminhava — acho que tenho feito isso nos últimos dias —, na grande maioria dos casos as coisas são completamente diferentes do que eu imaginava que elas seriam, mas foram se moldando; inevitavelmente se moldando.

Somos frutos de nossas experiências; sem medo de errar posso dizer que somos exatamente do tamanho do tamanho delas. Privilegiados são aqueles que muito choraram, aqueles que muito sorriram, aqueles que muito aprenderam, de fato viveram e são agraciados por poderem compartilhar um número grande de experiências e influenciar pessoas positivamente.

Bom que seja assim! A vida simplesmente não se sustenta sem movimento, uma vez ouvi de alguém: “A vida é como andar de bicicleta. Para ter equilíbrio você tem que se manter em movimento”.

É fascinante pensar na relação vida, história e movimento. Na vida não construímos uma história parados, tudo envelhece, se deteriora, fica para trás; se o movimento não for uma constante em nosso caminho ficaremos a mercê de nós mesmos, presos em vitórias e derrotas que a cada dia ficam mais e mais distantes de nós — em algum lugar no passado — e mais cedo ou mais tarde simplesmente perdem o sentido e podem até desaparecer.

Quando a gente pensa na relação vida, história e movimento nos damos conta de que o que importa na verdade é “caprichar” na caminhada. Dificilmente saberemos exatamente para onde estamos indo, dificilmente saberemos se algum dia chegaremos em algum lugar. Sabemos, porém, que temos o momento presente e o momento presente é apenas um instante; um instante que temos para construir nossos fragmentos de passado.

Acertar sempre não é nossa obrigação. Isso nem é possível! Erros em nossa caminhada são tão importantes quanto nossos acertos — talvez sejam até mais importantes —, mas me parece muito natural que essa relação de movimento e “capricho” na caminhada escreva pouco a pouco, naturalmente, uma história de valor.

De forma resumida penso que devemos cultivar o andar leve e despreocupado em relação aos nossos sucessos e fracassos, nos reinventando sempre que necessário e dando nosso melhor em todos os aspectos de nossas vidas.