Carta aberta a todos aqueles politicamente desamparados

Carta aberta a todos aqueles politicamente desamparados

Carta aberta a todos aqueles politicamente desamparados. No momento em que nos aproximamos do fim eleições de 2014 aqui no Brasil é praticamente unanime o sentimento de completa desolação com a atual cenário político de nosso país. Salvo alguns entusiastas, devidamente evangelizados, convertidos e convictos das doutrinas partidárias do partido X ou Y — esses acreditam realmente que existe salvação em suas crenças —, temos um grande número de insatisfeitos e desacreditados.

Em rodas de amigos, em discussões acaloradas em redes sociais nos deparamos com um grande número de pessoas perdidas, sem esperança, vivenciando momentos de desamparo político. Em quem acreditar? Por qual causa lutar?

Vemos uma luta agressiva da dita “esquerda pensante” versus a “direita acéfala”, de liberais contra conservadores, — como se por aqui fossem assim tão diferentes. Pessoas destilando ódio, lutando por ideais que muitas vezes não os pertencem, defendendo pessoas que no fundo não confiam totalmente.

Temos a impressão de estarmos vivendo em um país dividido em dois; um país que parece não suportar e tem raiva da existência da outra metade.  Como se não tivéssemos interesses comuns de bem estar e justiça.

Neste período temos trazido à tona o pior de nós: raiva, ódio, intolerância, arrogância, preconceito. Ficou claro o tamanho do nosso despreparo e falta de capacidade para debater de modo respeitoso e construtivo. Colocamos a frente do bom debate nossa arrogância intelectual e nossas convicções políticas imutáveis. Acredito que saímos deste período eleições de 2014 nos sentindo seres humanos piores.

Vimos extremistas intolerantes por todos os lados — gente com linhas de pensamento que no século XVI já eram antiquadas — falando em público sem o mínimo pudor e influenciando de forma cruel os menos informados.

Independente do resultado que teremos no final do processo todo, o balanço das eleições de 2014 é dos piores possíveis. 202,7 milhões de brasileiros optando pela mediocridade, tendo que escolher o “menos pior”, e por que não dizer experimentando o amargo gosto de uma “falsa democracia”. O lado mais belo da democracia é que qualquer um pode se dispor a concorrer a um cargo de liderança, ironicamente, o lado mais triste é que qualquer um pode se dispor a concorrer a um cargo de liderança.

Infelizmente, é fato inegável e conhecido de todos, que do ponto de vista do capital e da política o que mais move o mundo é o poder da vaidade humana. Sabemos também que boa parte da bondade e caridade existente e difundida é só uma embalagem para disfarçar o anseio, infinito, do ser humano por poder e reconhecimento. Onde chegaremos dessa maneira?

Fomos forçados a ir penas em duas direções; obrigatórias. Direita ou esquerda. Não acredito nos extremos; creio que nos extremos pisamos em terreno perigosamente instável. Pouquíssimas coisas são mais insanas do que o maniqueísmo tão latente que já nos acompanha por tantos anos nesse país. A luta do bem e do mal. Que bom que dessa vez a luta vai ser vencida pelo lado do bem, podemos prosseguir seguros e esperançosos de um futuro melhor.

Bom mesmo seria ver um centro equilibrado, coerente, buscando sempre o melhor de cada um dos extremos em prol de uma sociedade melhor e mais justa para todos. Ideais políticos em sua diversidade deveriam promover o bem comum em uma sociedade, não o ódio entre grupos que pensam diferente.

Que toda falta de esperança e desamparo político existente nos ensine mais sobre nós mesmos enquanto cidadãos. Precisamos mudar individualmente, precisamos zelar mais intensamente por uma consciência política mais madura, pela educação, pela cultura, pela leitura, por envolvimento direto em assuntos relacionados ao bem-estar do povo brasileiro.

Prossigamos!