Antes de ouvirmos “não há vagas”

Antes de ouvirmos “não há vagas”

Começo esse texto confessando a vocês que ainda é um pouco assustador para mim observar o quanto o nosso mundo atual vem ficando cada vez menor, cada vez mais dinâmico, cada vez mais “cheio de oportunidades”, todas aí batendo a nossa porta. Fico me perguntando até quando conseguirei acompanhar tamanha demanda por atualização constante. Até quando conseguirei ter valor frente a esse mundo pequeno, dinâmico e diverso.

Acredito que hoje vivemos o paradoxo do paraíso de oportunidades versus o deserto da imposição social. Quero dizer com isso que apesar de toda gama de oportunidades existente somos de certa forma estimulados a seguir caminhos comuns, caminhos já trilhados, tidos por caminhos certos, seguros.

O sucesso que nos ensinaram

Nos ensinaram que uma vida de sucesso está baseada em boas vagas de emprego, boas colocações no mercado de trabalho, cursos de MBA no exterior e uma porção de outras “obrigações” sociais que definitivamente não fazem sentido para todos os seres humanos do planeta — devem fazer sentindo para uma rara minoria. Nos últimos dias ando refletindo bastante sobre o quão insustentável e doentio é esse modelo opressor que nos sufoca. Dessa forma somos obrigados a viver uma vida limitada a uma gama de opções, sendo muitas vezes infelizes nas escolhas que realizamos.

Iniciei esse texto falando sobre o dinamismo, velocidade e diversidade de oportunidades existente nos dias de hoje. Penso que esse cenário pode ser um grande um grande aliado na luta contra esse modelo de vida opressor que nos ensinaram como o certo.

É um tanto confortante pensar que pelo menos temos para onde ir, podemos escolher os caminhos que queremos trilhar, podemos entendê-los e persegui-los por nós mesmos através de uma variedade incrível de tecnologias e ferramentas que estão à nossa disposição.

Muitos, hoje, ainda se queixam da falta de oportunidades, se queixam de frequentemente escutarem: “Não há vagas”, “Não há espaço”. Sim, existem casos e casos. Muitos, de fato, não tiveram tantas oportunidades na vida, trilharam caminhos mais duros. É comum também muitas vezes sermos engolidos pela pesada concorrência existente, nos sentimos “pouco talentosos” frente a esses concorrentes, incapazes de nos posicionarmos.

No entanto, antes de ouvirmos “não há vagas”, acredito que as perguntas iniciais deveriam ser: “A quais vagas eu quero concorrer? Preciso de fato entrar em concorrências?”. Bom seria se fossemos ensinados, desde pequenos, a ser criativos, buscar alternativas, viver conforme nossas vocações e aptidões; independentemente de tendências de mercado ou projeções de um futuro financeiramente promissor.

Vagas, criatividade e vocação

Todo esse papo pode parecer absolutamente utópico. Algo fora da realidade. Alguém pode dizer: “E no final do mês o que faço com carteiro colocando aquelas cartinhas debaixo da minha porta?”. A questão pode ser exatamente essa, será que não vivemos dispensando nosso lugar ao sol pela opção de estar em segurança juntamente com a maioria? Será que o caminho alternativo da criatividade e da vocação não é onde a prosperidade se esconde? Pode ser.

Não deveríamos ser o que fazemos ou o que temos. Deveríamos ser o que somos! Nosso “eu” deveria ser a consequência de nossa vocação, fruto de escolhas realmente livres, fruto de criatividade. Não há vagas pra quem não aproveita as oportunidades; diz a famosa frase. Talvez as melhores oportunidades estejam dentro nós mesmos.