Educação é uma questão de prioridade

Educação é uma questão de prioridade

Em tempos onde bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha são usadas pela polícia para reprimir protesto de professores da rede estadual, onde Brasil a fora se discute de forma tão acalorada a redução da maioridade penal é quase impossível não parar para refletir sobre o cenário atual da educação no Brasil.

Desde os primórdios da civilização humana a educação sempre teve um papel fundamental na composição e sucesso das sociedades. Existem indícios que já no Egito antigo existiam escolas em moldes parecidos com os que conhecemos hoje em dia.

De lá para cá o mundo mudou bastante e felizmente o acesso à educação foi democratizado. Não dá para dizer que hoje os padrões são excelentes, porém, é inegável que a quantidade de pessoas que podem frequentar uma escola, conseguem ler um livro, assinam o próprio nome é infinitamente maior do que há alguns séculos atrás.

O mundo que conhecemos hoje tem ficado cada dia mais complexo e em consequência disso a educação tem se tornado praticamente um pré-requisito para uma vida minimamente bem-sucedida dentro de uma sociedade. Em resposta a essas demandas conceitos como “Direito a Educação“, “Bolsas Estudantis“ e “Fundos Educacionais“ felizmente tem surgido e garantido que muitos tenham acesso à educação.

No Brasil, desde 1870, a educação básica já é oficialmente garantida por lei para todo brasileiro. Porém, infelizmente nosso país ainda está comendo poeira no ranking mundial de educação.

O Brasil ficou na 60ª posição no ranking mundial de educação, divulgado dia 13/05/2015, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), atrás de países com infraestrutura infinitamente menor como: Irã, Bahrein e Líbano. Foram avaliados 76 países — um terço das nações do mundo. O que acontece por aqui? Por que ainda convivemos tão de perto com essa triste realidade?

Distorção de princípios

Convivemos com distorções crônicas de princípios no aspecto educacional, essas distorções foram de alguma forma assimiladas por nossa sociedade ao longo dos anos e demonstram claramente o quanto o Brasil tem deixado de lado a educação de seu povo.

No Brasil um detendo custa ao estado cerca de R$1750,00 — esse valor é maior que o salário de muitos trabalhadores, mas isso é um outro assunto —, em contrapartida ao gasto com um detento o estado investe em um aluno das series iniciais cerca de R$180,00 por mês.

O piso salarial de um professor no Brasil é de menos de R$1200,00. É muito comum professores fazerem jornada dupla ou até mesmo tripla com o objetivo aumentarem seus rendimentos, isso tem impacto direto na qualidade do ensino disponibilizado. Em contrapartida cada um dos nossos 81 senadores custa cerca de dois milhões e oitocentos mil reais aos cofres públicos e pouco tem conseguido fazer pelo nosso pais.

Vemos também um nível de investimento em educação desproporcional as reais necessidades do pais. Investimos 5% do PIB do Brasil em educação ao passo que a máquina pública consome 20% do PIB brasileiro.

Esses são alguns exemplos de distorções no cenário educacional brasileiro. Através dessa rápida análise fica fácil perceber que de fato o Brasil — ou aqueles que o governam — não têm dado a devida importância para a educação. Na hora de se eleger todo político repete a mesma ladainha: vamos investir em educação. Poucos cumprem! Talvez deixar o povo na rédea curta da ignorância tenha lá suas vantagens.

A educação deve ser priorizada

Muito se fala sobre a complexidade do problema da educação no Brasil, muito se fala sobre os grandes desafios a serem enfrentados. Sim, os desafios são grandes, não existe solução mágica, simples, que nos leve a um novo patamar. O que existe, sem dúvidas, é um tremendo descaso com a questão da educação por aqui. A educação não é problemática no Brasil por falta de dinheiro, mas por falta de prioridade. Nenhum governo que tivemos até os dias de hoje teve a educação como uma prioridade absoluta.

É duro admitir que as prioridades no Brasil muitas vezes têm relação com as condições sociais dos indivíduos. A educação dos ricos é excelente por aqui, assim como a saúde e transporte. Por que não dizer que se o analfabetismo afetasse diretamente a alta classe brasileira não existiria analfabetismo no Brasil? Quando se resolve o problema da elite — minoria —, o povo é esquecido, deixado para trás. O grande problema é que essa omissão nos afeta como um todo, nos afeta como país.

Colocar nossas crianças na escola e oferecer educação de qualidade para as mesmas é urgente, são elas que mudarão o país e modernizarão nosso modelo educacional. Se assim não for continuaremos andando em círculos por tempo indeterminado. Essa mudança tem que começar já! A educação liberta, quem tem educação é menos enganado por populistas e demagogos. A educação converte pessoas em cidadãos. Investimento maior em educação é gasto menor em segurança e por consequência em saúde.

Impossível não citar o exemplo da Coréia do Sul. Em 1960 a renda per capita na Coréia do Sul era metade da brasileira, hoje em dia, poucas décadas depois, através do ensino público básico de qualidade a renda per capita na Coréia do Sul é três vezes maior que a brasileira. Que sejamos inspirados por exemplos como esse, não apenas por uma questão financeira, mas em favor de uma sociedade melhor, com cidadãos mais conscientes.