De volta ao mercado de trabalho

De volta ao mercado de trabalho

Infelizmente ando bastante ausente aqui do blog, sinto-me um pouco triste por isso. É comum que a vida em alguns momentos nos imponha prioridades. Muita coisa aconteceu em 2015, muitos fatos que forçaram a estabelecer prioridades. Espero retomar aos poucos o ritmo de postagens esse ano, vou aproveitar esse post para inaugurar essa nova fase e contar um pouco da minha experiência em 2015. Enfim, é bom estar de volta!

2015 foi um ano muito peculiar na minha vida. Acredito que não só para mim, dá para dizer seguramente que ano passado foi um ano bastante complicado para o Brasil como um todo. Vivemos um período de grande instabilidade política e econômica. Em 2015 foram constantes notícias de pessoas com salários atrasados, perdendo seus empregos, muitas empresas promovendo cortes ou mesmo fechando as portas. Muito triste ver a situação do nosso país, embora alguns acreditem que tudo isso não passa de puro pessimismo — assim é enquanto a crise não bate à porta de casa.

Após 11 anos de trabalho em minha antiga empresa, de repente, me vi obrigado a encarar o mercado de trabalho novamente, há muito tempo eu não sabia o que era sequer enviar um currículo. Isso ocorreu pelo fato de que em certo momento minha antiga empresa começou a atrasar constantemente os pagamentos de salário dos seus colaboradores. A perda de importantes contas e a situação econômica complicada em que o Brasil se encontra atingiu de forma grave a saúde financeira de minha antiga empresa. Para mim essa situação se estendeu por cerca de seis, causando grande transtorno em minhas finanças pessoais.

Muita coisa passa na cabeça de uma pessoa que trabalha a um certo tempo em uma empresa em um momento como esse. Existem muitas questões envolvidas, questões como: comprometimento, lealdade, processos rescisórios, empregabilidade. Todas essas questões pesam muito em um momento onde se faz necessário tomar decisões sérias. Sair? Abandonar a empresa em um momento difícil? Será que ainda sou competitivo no mercado de trabalho? Será que conseguirei me realocar facilmente? Receberei corretamente os valores que me são devidos?

Em um primeiro momento muitas dúvidas surgem, porém, com passar do tempo e com escassez de recursos as dúvidas começam dar lugar a uma espécie de ”instinto de sobrevivência”. O foco muda, a energia é canalizada em outra direção. Nesse momento urge a necessidade da resolução do problema e passamos automaticamente a buscar alternativas para superar o momento difícil no qual nos encontramos.

Comecei então a me planejar! Muita reflexão sobre o que fazer, para onde ir, como alcançar o objetivo esperado. Esse é o momento de sair da zona de conforto. Uma das coisas que mais deixavam inseguro era fato de que a muito tempo eu não procurava emprego, eu não tinha a menor ideia de como o mercado de trabalho estava, pior, eu não tinha a menor ideia de como eu estava no momento. Após 11 anos ainda sou competitivo? As coisas que conheço e faço ainda possuem valor de mercado?

Muitos currículos enviados, algumas entrevistas agendadas e logo se inicia o momento onde de forma concreta uma nova fase começa. Não dá para negar que a sensação de encarar uma entrevista de emprego após um longo período é aterrorizadora. Inicialmente me propus a encarar pequenas entrevistas, em empresas pequenas para ganhar confiança e prática, aos poucos fui encarando desafios maiores e mais ousados.

Para minha surpresa, após pouco tempo eu estava com uma grande quantidade de entrevistas agendadas em boas empresas e consegui minha recolocação de uma forma muito menos traumática do que eu achava que seria. Não vou me estender e detalhar todo esse processo de entrevistas e conquista de minha recolocação, pois, gostaria de deixar primordialmente algumas lições que aprendi. Acredito que essas lições tem muito mais valor prático para alguém que esteja em situação semelhante do que todo o processo em si. Destaco três aprendizados:

A corda sempre arrebenta para o lado mais fraco

Sinto muito por não ter tomado decisões sérias de mudança mais cedo. Quando falamos de dinheiro o tempo é um fator crítico. Dificilmente prejuízos financeiros serão ressarcidos de forma fácil. Quando vivemos situação de desemprego e atraso de salario é fundamental agilidade na resolução dos problemas. Nem sempre é fácil, mas é importante ter foco e disposição. Isso pode garantir prejuízos financeiros bem menores no futuro.

Vai com medo mesmo

A insegurança é algo bastante natural em situações como a que passei. Em certo ponto de minha jornada no ano passado um grande amigo meu me disse: “para essas coisas é necessário sangue frio”. Foi o que precisava ouvir! Sangue frio para tomada de decisões, sangue frio para realização de entrevistas, sangue frio para tudo naquele momento. Em situações com essa não existe certeza sobre o que pode ou não acontecer. É preciso coragem e otimismo para encarar mudanças.

Experiência vale muito no mercado de trabalho

Me surpreendi muito com a relativa facilidade que consegui minha nova colocação no mercado de trabalho. Após refletir bastante sobre ocorrido pude concluir que a experiência é algo muito valioso. Saber de fato resolver problemas e ter agilidade para tal é um fator decisivo em processos de seleção, empresas buscam resultados; resultados práticos muitas vezes são muito mais interessantes que currículos acadêmicos de dar inveja com pouca experiência prática. Claro que estudo e atualização é fundamental, ficar parado no mesmo lugar, sem crescimento algum é receita certa para o fracasso.

A escritora chilena Isabel Allende no livro “A Ilha Debaixo do Mar” escreveu algo incrível: Todos temos dentro de nós uma insuspeita reserva de força que emerge quando a vida nos põe à prova. Acredito que pouquíssimas frases poderiam descrever melhor meu ano de 2015. Sim, quando somos postos a prova, descobrimos que somos capazes de muitas coisas, nos surpreendemos com o que podemos realizar e aonde podemos chegar.